
Abaís: paisagem, presença e vida à beira-mar
A praia amplia o repertório visual do litoral sul. O encontro entre o mar, a faixa de areia e os elementos do cotidiano ajuda a pensar narrativas que aproximem paisagem e experiência local.
CADERNO DE PESQUISA / CINEMA E TURISMO
Entre praias, dunas e comunidades tradicionais, o audiovisual abre caminhos para valorizar paisagens, movimentar a economia e aproximar visitantes da cultura local.
Continue a leituraCINEMA E TURISMO
As imagens despertam curiosidade. As histórias criam vínculos. E os lugares ganham novos sentidos.
Uma praia vista em um filme, uma cidade que acompanha os personagens de uma novela ou uma paisagem que permanece na memória: o desejo de viajar também nasce das histórias que assistimos.
Essa aproximação entre audiovisual e deslocamento é conhecida como turismo cinematográfico. Ela acontece quando filmes, séries, novelas e outras produções despertam o interesse por conhecer os lugares retratados. Não é apenas a beleza da imagem que importa. A emoção, a curiosidade e o vínculo com os personagens ajudam a transformar um cenário em destino.
No litoral de Sergipe, essa relação abre um campo de oportunidades. Praias, dunas, manguezais e vilarejos tradicionais oferecem ambientes para diferentes narrativas. Ao lado das paisagens, o artesanato, a culinária e as manifestações culturais dão profundidade às histórias e revelam modos de viver.
A pesquisa Nas ondas da sétima arte acompanha essa conexão entre audiovisual, turismo e economia criativa. Por meio de revisão bibliográfica e análise de experiências no Nordeste e em Sergipe, investigamos como a visibilidade nas telas pode contribuir para a valorização do território e para o desenvolvimento local.
dos participantes de um estudo sobre audiovisual e viagens afirmaram que o que assistiram intensificou o desejo de viajar.
Carvalho e Costa (2024), em questionário aplicado com 80 participantes interessados em audiovisual.
AUDIOVISUAL, VIAGENS E SERGIPE
Das imagens que despertam o desejo de viajar ao potencial do litoral como cenário: um olhar sobre os dados reunidos em Nas ondas da sétima arte.
O conjunto recebido reúne 114 registros, com 110 a 114 respostas por tema. Os dados estão organizados a seguir em quatro eixos de leitura.
No conjunto recebido, 87,4% dos registros indicam o hábito de assistir a filmes, séries, novelas ou vídeos on-line. A relação com Sergipe também aparece nessa base: 58% indicam residência no estado, enquanto 19,6% registram uma visita anterior.
A vontade de conhecer um lugar por influência de uma produção audiovisual aparece em 71,7% dos registros. A realização de uma visita motivada por essas imagens aparece em 30%. Os dois indicadores tratam de momentos diferentes: despertar o interesse e efetivamente viajar.
72,8% dos registros assinalam que o audiovisual pode influenciar a escolha de destinos turísticos. O conhecimento prévio de Sergipe como destino aparece em 74,1%; outros 15,2% indicam que já tinham ouvido falar, mas conheciam pouco.
O interesse em visitar Sergipe após vê-lo em uma produção audiovisual aparece em 69,9% dos registros. Sobre as possibilidades de filmagem, 70,2% apontam potencial do litoral sergipano como cenário para filmes, séries e outras produções.
Fonte: resumo dos dados de “Nas ondas da sétima arte: como produções audiovisuais podem impulsionar a economia do turismo litorâneo em Sergipe”, fornecido pela equipe da pesquisa — Adelson Brito e Rejane Harder.
A base está indicada em cada gráfico. Todas as barras usam a escala de 0 a 100%. Os percentuais foram preservados conforme o resumo; diferenças de soma decorrem do arredondamento. O valor de 6,1% para “Talvez”, na escolha do destino, e o total de 10,5% para “Não” e “Talvez”, no potencial do litoral, foram calculados por complemento.
PAISAGENS E IDENTIDADES
De praias próximas à capital ao encontro do rio com o mar, diferentes paisagens permitem contar histórias sobre natureza, memória e modos de vida.

Na Praia do Saco, em Estância, areia clara, coqueiros, dunas e ambientes fluviais formam um conjunto de possibilidades visuais. Ao lado de Abaís, esse território evidencia a diversidade do litoral sul para produções audiovisuais.
Atalaia, Aruana e Caueira ampliam esse repertório de paisagens costeiras. A presença desses lugares nas telas pode estimular a curiosidade por destinos sergipanos e aproximar o visitante das experiências culturais da região.
O encontro entre paisagens costeiras, rios e identidades locais abre possibilidades para histórias ligadas ao patrimônio natural e cultural.
As paisagens desta seção representam possibilidades de locação. Os exemplos de produções já realizadas em Sergipe aparecem na seção “Sergipe nas telas”.
LITORAL SUL

Um cenário pode continuar despertando interesse muito depois da exibição de uma novela.
Mangue Seco, na Bahia, ganhou projeção com Tieta, exibida entre 1989 e 1990. As imagens e a narrativa criaram uma associação duradoura entre a obra e o destino, despertando a vontade de conhecer os espaços vistos na televisão.
A proximidade com a Praia do Saco ajuda a compreender como esse interesse pode ultrapassar divisas estaduais. Passeios que saem do lado sergipano conectam visitantes a Mangue Seco, criando oportunidades para serviços turísticos em Sergipe.
A locação da novela foi Mangue Seco. Já a Praia do Saco reúne seu próprio potencial paisagístico para receber novas produções. Essa relação mostra como circulação de visitantes, paisagem e memória audiovisual podem se conectar em um mesmo território.
ECONOMIA CRIATIVA
As narrativas audiovisuais atribuem sentidos aos lugares e podem motivar o público a conhecer os destinos retratados.
Produções e visitas podem envolver profissionais do audiovisual, hospedagem, alimentação, transporte e serviços locais.
Artesanato, culinária e manifestações culturais acrescentam autenticidade às narrativas e aproximam visitantes das comunidades.
Durante as filmagens, a circulação de equipes pode gerar demanda por hospedagem, alimentação, transporte e apoio técnico. Essas necessidades conectam a produção audiovisual a diferentes atividades econômicas do território.
Depois da exibição, o interesse pelas paisagens e histórias pode estimular novas visitas. Para que esse movimento produza benefícios duradouros, é preciso articular a promoção do destino com a preparação dos serviços e a valorização das comunidades.
Planejamento, políticas de incentivo, formação profissional e cooperação entre cultura e turismo são necessários para transformar visibilidade em benefícios duradouros para o território.
SERGIPE NAS TELAS
Cidades históricas, ambientes urbanos e o sertão já integram a trajetória audiovisual sergipana. O litoral pode ampliar esse repertório.
LONGA-METRAGEMCenas gravadas em São Cristóvão, Laranjeiras e Santo Amaro, em 2008, aproximam o cinema das paisagens e dos espaços culturais sergipanos.
Cartaz promocional · Globo Filmes · fonte ↗
LONGA-METRAGEM · 2013Filmada em Aracaju e lançada em 2013, a produção belgo-brasileira mostra a presença da capital no circuito de realizações audiovisuais.
Cartaz internacional · Tarantula / WG Produções, via Cinematerial · fonte ↗
NOVELA · 2011Exibida em 2011, a novela teve cenas gravadas na região de Xingó, em Canindé do São Francisco, evidenciando a força visual do sertão.
Capa em DVD · TV Globo, via IMDb · fonte ↗
MINISSÉRIE · 2014A produção exibida em 2014 também utilizou cenários do sertão sergipano, na região de Canindé do São Francisco.
Arte promocional · TV Globo, via Banco de Séries · fonte ↗
NOVELA · 2016A novela de 2016 incluiu gravações em território sergipano, reforçando a presença da região do São Francisco nas narrativas televisivas.
Arte promocional · TV Globo, via TMDB · fonte ↗
CURTA-METRAGEM · 2022Dirigido por Luciana Oliveira, o curta experimental acompanha Esperanza em uma busca por si e pela espiritualidade à beira de um rio. Uma expressão das histórias criadas pelo audiovisual sergipano.
Cartaz · Rolimã Filmes, via Borboletas Filmes · fonte ↗
CINEMA SERGIPANO · 2022Na ficção de Carolen Meneses e Sidjonathas Araújo, um casal de costureiros procura outra geladeira após apagões no bairro. O encontro na loja de usados dá início a uma narrativa atravessada pelo racismo.
Cartaz · Floriô de Cinema · fonte ↗
IMAGEM DE DIVULGAÇÃOCINEMA SERGIPANOFilmada em São Cristóvão e dirigida por Eudaldo Monção Jr., a obra acompanha o reencontro de Diogo com a tia Gisélia. Afetos e conflitos familiares dão forma a essa história do audiovisual local.
Imagem de divulgação · Memorabilia Filmes, via UFS. Enquadramento adaptado · fonte ↗
Capas, cartazes e imagens de divulgação acompanham a apresentação das obras para identificação editorial. Imagens promocionais dos respectivos titulares, com as fontes indicadas em cada item.

DESAFIOS E CAMINHOS
A força do sertão no imaginário audiovisual não esgota a diversidade sergipana. Dar espaço ao litoral e às identidades de suas comunidades amplia as possibilidades de narrar o estado e evita reduzi-lo a uma única paisagem.
Receber uma produção envolve equipes técnicas, logística e serviços. Investir em qualificação ajuda a criar condições para que trabalhadores e empreendimentos locais participem dessas oportunidades.
O trabalho conjunto de governos, produtoras, empreendedores e comunidades é essencial. Políticas de incentivo e estratégias de promoção territorial podem aproximar a atividade audiovisual das redes locais de turismo.
As film commissions são estruturas de apoio e articulação para atrair e facilitar produções em um território. Esse tipo de organização pode integrar as estratégias de fortalecimento do turismo cinematográfico.
O objetivo é transformar a visibilidade das telas em oportunidades sustentáveis, com valorização do patrimônio e das pessoas que dão identidade a cada lugar. Os efeitos econômicos precisam ser acompanhados: potencial turístico não equivale, por si só, a impacto já comprovado.

PARA SE APROFUNDAR
Nas ondas da sétima arte: como produções audiovisuais podem impulsionar a economia do turismo litorâneo em Sergipe
Adelson Brito · Rejane Harder
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CRÉDITOS INSTITUCIONAIS
Pesquisa financiada com recursos da Lei Paulo Gustavo, no eixo destinado ao setor audiovisual.




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