7ªNAS ONDAS
DA SÉTIMA ARTE

CADERNO DE PESQUISA / CINEMA E TURISMO

O litoral sergipano
tem novas histórias
para contar nas telas.

Entre praias, dunas e comunidades tradicionais, o audiovisual abre caminhos para valorizar paisagens, movimentar a economia e aproximar visitantes da cultura local.

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Por Adelson Brito e Rejane Harder

CINEMA QUE REVELA TERRITÓRIOSExplore o litoral
Turismo cinematográficoIdentidade culturalEconomia criativa

CINEMA E TURISMO

Uma viagem pode
começar diante
de uma tela.

As imagens despertam curiosidade. As histórias criam vínculos. E os lugares ganham novos sentidos.

Uma praia vista em um filme, uma cidade que acompanha os personagens de uma novela ou uma paisagem que permanece na memória: o desejo de viajar também nasce das histórias que assistimos.

Essa aproximação entre audiovisual e deslocamento é conhecida como turismo cinematográfico. Ela acontece quando filmes, séries, novelas e outras produções despertam o interesse por conhecer os lugares retratados. Não é apenas a beleza da imagem que importa. A emoção, a curiosidade e o vínculo com os personagens ajudam a transformar um cenário em destino.

No litoral de Sergipe, essa relação abre um campo de oportunidades. Praias, dunas, manguezais e vilarejos tradicionais oferecem ambientes para diferentes narrativas. Ao lado das paisagens, o artesanato, a culinária e as manifestações culturais dão profundidade às histórias e revelam modos de viver.

A pesquisa Nas ondas da sétima arte acompanha essa conexão entre audiovisual, turismo e economia criativa. Por meio de revisão bibliográfica e análise de experiências no Nordeste e em Sergipe, investigamos como a visibilidade nas telas pode contribuir para a valorização do território e para o desenvolvimento local.

52,5%

dos participantes de um estudo sobre audiovisual e viagens afirmaram que o que assistiram intensificou o desejo de viajar.

Carvalho e Costa (2024), em questionário aplicado com 80 participantes interessados em audiovisual.

AUDIOVISUAL, VIAGENS E SERGIPE

Dados da pesquisa

Das imagens que despertam o desejo de viajar ao potencial do litoral como cenário: um olhar sobre os dados reunidos em Nas ondas da sétima arte.

O conjunto recebido reúne 114 registros, com 110 a 114 respostas por tema. Os dados estão organizados a seguir em quatro eixos de leitura.

As telas fazem parte do cotidiano

No conjunto recebido, 87,4% dos registros indicam o hábito de assistir a filmes, séries, novelas ou vídeos on-line. A relação com Sergipe também aparece nessa base: 58% indicam residência no estado, enquanto 19,6% registram uma visita anterior.

Relação com Sergipe

112 registros
  • Moro em Sergipe58%
  • Já visitei Sergipe, mas não moro no estado19,6%
  • Nunca visitei Sergipe22,3%

Audiovisual no cotidiano

111 registros
  • Sim87,4%
  • Não12,6%

Entre a vontade de viajar e a visita

A vontade de conhecer um lugar por influência de uma produção audiovisual aparece em 71,7% dos registros. A realização de uma visita motivada por essas imagens aparece em 30%. Os dois indicadores tratam de momentos diferentes: despertar o interesse e efetivamente viajar.

O desejo de conhecer um lugar

113 registros
  • Sim71,7%
  • Não28,3%

Da tela à visita

110 registros
  • Sim30%
  • Não70%

A escolha do destino e a presença de Sergipe

72,8% dos registros assinalam que o audiovisual pode influenciar a escolha de destinos turísticos. O conhecimento prévio de Sergipe como destino aparece em 74,1%; outros 15,2% indicam que já tinham ouvido falar, mas conheciam pouco.

A escolha do destino

114 registros
  • Sim72,8%
  • Não21,1%
  • Talvez6,1%

Sergipe no imaginário turístico

112 registros
  • Sim74,1%
  • Já tinha ouvido falar, mas conheço pouco15,2%
  • Não conhecia10,7%

O litoral no horizonte das próximas histórias

O interesse em visitar Sergipe após vê-lo em uma produção audiovisual aparece em 69,9% dos registros. Sobre as possibilidades de filmagem, 70,2% apontam potencial do litoral sergipano como cenário para filmes, séries e outras produções.

Interesse após a divulgação

113 registros
  • Sim69,9%
  • Não11,5%
  • Talvez18,6%

O litoral como cenário

114 registros
  • Sim, acredito que tem potencial70,2%
  • Não ou talvez, em conjunto10,5%
  • Não conheço o litoral sergipano o suficiente para opinar19,3%
“Não” e “Talvez” aparecem agrupados porque o resumo não informa os valores separados.

Fonte: resumo dos dados de “Nas ondas da sétima arte: como produções audiovisuais podem impulsionar a economia do turismo litorâneo em Sergipe”, fornecido pela equipe da pesquisa — Adelson Brito e Rejane Harder.

A base está indicada em cada gráfico. Todas as barras usam a escala de 0 a 100%. Os percentuais foram preservados conforme o resumo; diferenças de soma decorrem do arredondamento. O valor de 6,1% para “Talvez”, na escolha do destino, e o total de 10,5% para “Não” e “Talvez”, no potencial do litoral, foram calculados por complemento.

PAISAGENS E IDENTIDADES

O litoral como
possibilidade de cinema.

De praias próximas à capital ao encontro do rio com o mar, diferentes paisagens permitem contar histórias sobre natureza, memória e modos de vida.

Faixa de areia clara, mar e coqueiros na Praia do Saco, em Sergipe
Praia do Saco · Foto: Jailson Rodrigo Pacheco / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0. Imagem também utilizada na abertura, com enquadramento e sobreposição de cor.
Praia do Abaís, com faixa de areia, mar, barco e posto de guarda-vidas colorido
Praia do Abaís, Estância · divulgação de 2026. Foto: Governo de Sergipe. Enquadramento adaptado à página.

Abaís: paisagem, presença e vida à beira-mar

A praia amplia o repertório visual do litoral sul. O encontro entre o mar, a faixa de areia e os elementos do cotidiano ajuda a pensar narrativas que aproximem paisagem e experiência local.

Dunas de areia clara na região da Praia do Saco, sob céu azul
Dunas na região da Praia do Saco · 2014. Foto: Jailson Rodrigo Pacheco / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0. Enquadramento adaptado à página.

Dunas: formas que mudam o olhar

As dunas acrescentam texturas, linhas e contrastes às paisagens da Praia do Saco. Sua presença mostra que as possibilidades de enquadramento do litoral vão além da imagem do mar.

Vista elevada da Orla de Atalaia, com espaços de lazer, coqueiros e mar ao fundo
Orla de Atalaia, Aracaju · 2016. Foto: Prefeitura Municipal de Aracaju / Codevasf · CC BY 2.0. Enquadramento adaptado à página.

Atalaia: cidade e litoral no mesmo enquadramento

A convivência entre espaços urbanos e paisagem costeira amplia as possibilidades de representação da capital. O turismo cinematográfico pode aproximar essa imagem dos modos de viver, circular e conhecer Aracaju.

Registro da orla da Praia da Caueira, com letreiro de identificação e mar ao fundo
Praia da Caueira, Itaporanga d’Ajuda · registro de 2007. Foto: Tito Garcez / Wikimedia Commons · domínio público. Enquadramento adaptado à página.

Caueira: outras paisagens entram em cena

A Caueira integra o conjunto de destinos que amplia o olhar para o litoral sergipano. Valorizar diferentes praias permite diversificar as imagens do estado e pensar oportunidades para além dos cenários mais conhecidos.

01

Praia do Saco e Abaís

Na Praia do Saco, em Estância, areia clara, coqueiros, dunas e ambientes fluviais formam um conjunto de possibilidades visuais. Ao lado de Abaís, esse território evidencia a diversidade do litoral sul para produções audiovisuais.

02

Atalaia, Aruana e Caueira

Atalaia, Aruana e Caueira ampliam esse repertório de paisagens costeiras. A presença desses lugares nas telas pode estimular a curiosidade por destinos sergipanos e aproximar o visitante das experiências culturais da região.

03

Pirambu e a foz do São Francisco

O encontro entre paisagens costeiras, rios e identidades locais abre possibilidades para histórias ligadas ao patrimônio natural e cultural.

As paisagens desta seção representam possibilidades de locação. Os exemplos de produções já realizadas em Sergipe aparecem na seção “Sergipe nas telas”.

Um cenário pode continuar despertando interesse muito depois da exibição de uma novela.

Mangue Seco, na Bahia, ganhou projeção com Tieta, exibida entre 1989 e 1990. As imagens e a narrativa criaram uma associação duradoura entre a obra e o destino, despertando a vontade de conhecer os espaços vistos na televisão.

A proximidade com a Praia do Saco ajuda a compreender como esse interesse pode ultrapassar divisas estaduais. Passeios que saem do lado sergipano conectam visitantes a Mangue Seco, criando oportunidades para serviços turísticos em Sergipe.

A locação da novela foi Mangue Seco. Já a Praia do Saco reúne seu próprio potencial paisagístico para receber novas produções. Essa relação mostra como circulação de visitantes, paisagem e memória audiovisual podem se conectar em um mesmo território.

ECONOMIA CRIATIVA

Da imagem ao encontro.
Do encontro à valorização local.

VISIBILIDADE

Despertar o interesse

As narrativas audiovisuais atribuem sentidos aos lugares e podem motivar o público a conhecer os destinos retratados.

OPORTUNIDADES

Mobilizar a economia

Produções e visitas podem envolver profissionais do audiovisual, hospedagem, alimentação, transporte e serviços locais.

IDENTIDADE

Valorizar o território

Artesanato, culinária e manifestações culturais acrescentam autenticidade às narrativas e aproximam visitantes das comunidades.

Durante as filmagens, a circulação de equipes pode gerar demanda por hospedagem, alimentação, transporte e apoio técnico. Essas necessidades conectam a produção audiovisual a diferentes atividades econômicas do território.

Depois da exibição, o interesse pelas paisagens e histórias pode estimular novas visitas. Para que esse movimento produza benefícios duradouros, é preciso articular a promoção do destino com a preparação dos serviços e a valorização das comunidades.

Transformar potencial em resultados exige articulação.

Planejamento, políticas de incentivo, formação profissional e cooperação entre cultura e turismo são necessários para transformar visibilidade em benefícios duradouros para o território.

SERGIPE NAS TELAS

Um estado,
muitos cenários.

Cidades históricas, ambientes urbanos e o sertão já integram a trajetória audiovisual sergipana. O litoral pode ampliar esse repertório.

Cartaz de Orquestra dos Meninos, com Murilo Rosa como maestro à frente de músicosLONGA-METRAGEM

Orquestra dos Meninos

Cenas gravadas em São Cristóvão, Laranjeiras e Santo Amaro, em 2008, aproximam o cinema das paisagens e dos espaços culturais sergipanos.

Cartaz promocional · Globo Filmes · fonte ↗

Cartaz internacional de A Pelada, de Damien Chemin, com dois personagens na praiaLONGA-METRAGEM · 2013

A Pelada

Filmada em Aracaju e lançada em 2013, a produção belgo-brasileira mostra a presença da capital no circuito de realizações audiovisuais.

Cartaz internacional · Tarantula / WG Produções, via Cinematerial · fonte ↗

Capa em estilo de cordel da edição em DVD da novela Cordel EncantadoNOVELA · 2011

Cordel Encantado

Exibida em 2011, a novela teve cenas gravadas na região de Xingó, em Canindé do São Francisco, evidenciando a força visual do sertão.

Capa em DVD · TV Globo, via IMDb · fonte ↗

Capa de Amores Roubados, com Ísis Valverde e Cauã ReymondMINISSÉRIE · 2014

Amores Roubados

A produção exibida em 2014 também utilizou cenários do sertão sergipano, na região de Canindé do São Francisco.

Arte promocional · TV Globo, via Banco de Séries · fonte ↗

Capa de Velho Chico, com os protagonistas e o título sobre fundo amareloNOVELA · 2016

Velho Chico

A novela de 2016 incluiu gravações em território sergipano, reforçando a presença da região do São Francisco nas narrativas televisivas.

Arte promocional · TV Globo, via TMDB · fonte ↗

Cartaz do curta Espelho, de Luciana Oliveira, com uma mulher à beira da água segurando um espelhoCURTA-METRAGEM · 2022

Espelho

Dirigido por Luciana Oliveira, o curta experimental acompanha Esperanza em uma busca por si e pela espiritualidade à beira de um rio. Uma expressão das histórias criadas pelo audiovisual sergipano.

Cartaz · Rolimã Filmes, via Borboletas Filmes · fonte ↗

Cartaz ilustrado de Ímã de Geladeira, com figura em silhueta e eletrodomésticos sobre fundo vermelhoCINEMA SERGIPANO · 2022

Ímã de Geladeira

Na ficção de Carolen Meneses e Sidjonathas Araújo, um casal de costureiros procura outra geladeira após apagões no bairro. O encontro na loja de usados dá início a uma narrativa atravessada pelo racismo.

Cartaz · Floriô de Cinema · fonte ↗

Imagem de divulgação de O Armário de Gisélia: os dois personagens abraçados junto a uma janela de uma casa azulIMAGEM DE DIVULGAÇÃOCINEMA SERGIPANO

O Armário de Gisélia

Filmada em São Cristóvão e dirigida por Eudaldo Monção Jr., a obra acompanha o reencontro de Diogo com a tia Gisélia. Afetos e conflitos familiares dão forma a essa história do audiovisual local.

Imagem de divulgação · Memorabilia Filmes, via UFS. Enquadramento adaptado · fonte ↗

Capas, cartazes e imagens de divulgação acompanham a apresentação das obras para identificação editorial. Imagens promocionais dos respectivos titulares, com as fontes indicadas em cada item.

Anoitecer na Praia do Saco, com ondas, reflexos na água e a faixa de areia em tons escuros
Um litoral, diferentes luzes.Praia do Saco ao anoitecer · 2014. Foto: Jailson Rodrigo Pacheco / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0. Enquadramento adaptado à página.

DESAFIOS E CAMINHOS

Paisagem bonita é o começo.
O desenvolvimento precisa de planejamento.

Ampliar as representações

A força do sertão no imaginário audiovisual não esgota a diversidade sergipana. Dar espaço ao litoral e às identidades de suas comunidades amplia as possibilidades de narrar o estado e evita reduzi-lo a uma única paisagem.

Preparar profissionais locais

Receber uma produção envolve equipes técnicas, logística e serviços. Investir em qualificação ajuda a criar condições para que trabalhadores e empreendimentos locais participem dessas oportunidades.

Conectar cultura e turismo

O trabalho conjunto de governos, produtoras, empreendedores e comunidades é essencial. Políticas de incentivo e estratégias de promoção territorial podem aproximar a atividade audiovisual das redes locais de turismo.

Estruturar o apoio às filmagens

As film commissions são estruturas de apoio e articulação para atrair e facilitar produções em um território. Esse tipo de organização pode integrar as estratégias de fortalecimento do turismo cinematográfico.

O objetivo é transformar a visibilidade das telas em oportunidades sustentáveis, com valorização do patrimônio e das pessoas que dão identidade a cada lugar. Os efeitos econômicos precisam ser acompanhados: potencial turístico não equivale, por si só, a impacto já comprovado.

Primeira página original do capítulo Nas ondas da sétima arte, da coletânea FAROL

PARA SE APROFUNDAR

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no artigo completo.

Nas ondas da sétima arte: como produções audiovisuais podem impulsionar a economia do turismo litorâneo em Sergipe

Adelson Brito · Rejane Harder

Coletânea FAROL · Volume 6Páginas 253–266 · 14 páginas

Quer saber mais? O artigo completo reúne a fundamentação teórica, os exemplos analisados e as referências da pesquisa. A leitura está disponível gratuitamente em PDF.

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EQUIPE DE PESQUISA

Quem desenvolve
a pesquisa.

Retrato de Adelson Brito

Adelson Brito

Flautista, educador musical e pesquisador. Mestre em Música pela UEMG, com atuação docente em disciplinas pedagógicas na Universidade Federal de Sergipe.

Retrato de Rejane Harder

Rejane Harder

Pesquisadora, educadora musical, flautista e pianista. Doutora em Música pela UFBA e pós-doutora em Educação Musical pela UFMG. Professora da Licenciatura em Música da UFS.

CRÉDITOS INSTITUCIONAIS

Pesquisa financiada com recursos da Lei Paulo Gustavo, no eixo destinado ao setor audiovisual.

FUNCAP — Fundação de Cultura e Arte Aperipê de SergipeSecretaria Especial da Cultura e Governo de SergipeLei Paulo Gustavo, Ministério da Cultura e Governo Federal — Brasil, União e Reconstrução
Marca adicional de referênciaPolítica Nacional Aldir Blanc — PNAB

A marca PNAB integra o material de referência visual. Esta pesquisa é financiada pela Lei Paulo Gustavo.